{header-content}

Últimos membros registados

Luciane Ivete Lopes Schinatto
raimundo nonato silva mesquita
Gloria Elizabeth Riveros Strapasson
Clóvis
Alessandra Bastos
RITA MARIA
renata
Marta Papke S. Pasold
Mirca
Keli Mary Fontana
Alessandra Ames

MATURANA, VARELA E A GESTÃO DE CONHECIMENTO

Enviado por Alessandra Ames em 05/09/2010 às 10:02 PM

 

MATURANA, VARELA E A GESTÃO DE CONHECIMENTO

 

Maturana e Varela nos oportunizam uma reflexão muito peculiar acerca do conhecer e do conhecimento. Partindo de uma (re)visita às bases biológicas da compreensão humana os autores mostram que os seres vivos são frutos de organizações autopoiéticas e se relacionam em rede. Isso lhes confere uma característica fundamental: a cada ação cabe uma reação. Em relação aos seres humanos, há uma peculiaridade bem específica: são seres comunicativos, utilizam-se da linguagem para expressar seus pensamentos, organizam-se em sociedade na qual há uma circularidade cognitiva e como ensinam os autores todo fazer leva a um novo fazer: é o círculo cognitivo que caracteriza o nosso ser, num processo cuja realização está imersa no modo de ser autônomo do ser vivo[1].

Linguagem é movimento o que implica na criação de pontos cegos cognitivos que confundem a visão. Partindo de uma analogia, ao trocar reflexões em um fórum de discussões, por exemplo, cria-se a possibilidade de movimentar a linguagem e de gerir conhecimentos. Abruptamente se é desafiado a pensar sobre o conhecimento e a gerir informações diversas em um meio cultural antes desconhecido, o que de certo modo, move o chão e impele os sujeitos a reagir de posse das novas informações oferecidas e dos conhecimentos prévios existentes.

Por isso, nossos pontos cegos cognitivos são continuamente renovados e não vemos que não vemos, não percebemos que ignoramos. Só quando alguma interação nos tira do óbvio – por exemplo, quando somos bruscamente transportados a um meio cultural diferente - , e nos permitimos refletir, é que nos damos conta da imensa quantidade de relações que consideramos como garantidas[2].

Isso é o que deve acontecer nas escolas. Os alunos devem ser desafiados, os conceitos devem ser colocados em xeque, (re)vistos e (re)construídos continuamente. Pois, conforme Freire, ao ser produzido, o conhecimento novo supera o outro que antes foi novo e se fez velho e se “dispõe” a ser ultrapassado por outro amanhã.[3]

Nesta perspectiva, chega-se à gestão de conhecimento. Perceber os talentos dos indivíduos e grupos, promover o reforço dos mesmos, agregar valor ao saber, aos sujeitos e à instituição permitindo a circulação do conhecimento é o que torna isso possível. Sabbag fala do encaixe esquemático entre as dimensões individual, grupal e organizacional e ensina que circulando conhecimentos entre indivíduos, grupos e organização, se estabelece um “círculo virtuoso.”[4]

Neste aspecto, o ser humano se diferencia dos demais seres pela consciência que lhe permite refletir acerca do que ele é capaz e lhe concede a possibilidade de perceber o que pode ser feito em prol do Universo. Essa possibilidade exige compromisso e deve ser pautada fundamentalmente na ética, na aceitação do outro e na amorosidade. É a oportunidade de encontrar os pontos cegos e, ao percebê-los, abrir espaço para um novo agir preocupado com toda a rede de relações, com toda a teia da vida, com o Universo. Assim, gerir o conhecimento, é tornar-se forte, flexível, melhorar e evoluir. É ter a possibilidade de (trans)formar e de gerar inovação, tornando reais os desejos compartilhados e permitindo a circulação de conhecimentos em prol de todos.

 

REFERÊNCIAS

Freire, P. (1996) Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 20ª ed. São Paulo: Paz e Terra

Maturana, H. R & Varela, F.J. (2001) A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. 6ª ed. São Paulo: Palas Athena.

Sabbag, P.Y. (2007). Espirais do conhecimento: ativando indivíduos, grupos e organizações. São Paulo: Saraiva.  

 



[1] Maturana, H. R & Varela, F.J. (2001) A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. 6ª ed. São Paulo: Palas Athena (p.264).

[2] Maturana, H. R & Varela, F.J. (2001) A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. 6ª ed. São Paulo: Palas Athena (p.264).

[3] Freire, P. (1996) Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 20ª ed. São Paulo: Paz e Terra. (p.31)

[4] Sabbag, P.Y. (2007). Espirais do conhecimento: ativando indivíduos, grupos e organizações. São Paulo: Saraiva. (p.303)

Etiquetas:
Publicidade de Bligoo.com

Escreva um comentário

Desea usar sua foto? - Inicie sua sessão ou Cadastre-se grátis »
Comentários a este artigo no RSS